Palavras ao vento...


30/11/2006


Dizem por aí que às vezes quando estamos felizes é pra nos preparar para algo ruim.

Queria, nesse instante, poder dizer que é mentira.

Vespera de viagem, quatro dias... longe.... deveria estar feliz, mas não estou. Estou aborrecida, sem vontade de sorrir. *suspiro*

Sem vontade de partir,

De ficar,

De nada.


 

Fim

Será que cheguei ao fim de todos os caminhos
E só resta a possibilidade de permanecer?
Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada
Ou será ela a própria caminhada?
Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram – Espírito!
E gritaram – Coragem!
Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha
Que fecha tudo à libertação?
Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos
Ou cairei lutando contra o impossível que antolha-me os passos
Apenas pela glória de tombar lutando?

Será que eu cheguei ao fim de todos os caminhos...
Ao fim de todos os caminhos?

 

(Vinícius de Moraes - Rio de Janeiro, 1933)

Escrito por Cris às 09h46
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29/11/2006


mããããnhêeeeeeeee!!!

Corri pra saia da mamãe, mas não foi por desespero e sim de saudade.

Quanto tempo demorei pra perceber o quanto ela e meu pai eram importantes, o quanto demorei a perceber que eles não eram tão durões, tão cheio de problemas que não podiam me dar atenção.

Hoje é tudo tão diferente. Acho que posso dizer que nos tornamos amigos de verdade, não muito confidentes ainda, mas que estão caminhando para ser.

Amadurecemos...eles viram os 3 filhos crescerem, chorarem, sofrerem, se formarem, namorarem, casarem. Quantas vezes chegavamos com um humor do cão depois daquele dia infernal no trabalho ou na faculdade, e lá estavam eles nos esperando, às vezes até sem sorriso no rosto, mas que de alguma forma nos passava um "q" que nos acalmava a alma.

Hoje com dois filhos já fora de casa e outro prestes a sair, eles curtem a vida que nós, filhos, "atrapalhamos" durantes tantos anos. Viagens, aulas de dança de salão, aulas de computação (veja só!!! - surpresa que soube hoje), compras de roupas e sandálias novas para a festa (ahhh a vaidade que andava perdida) e o melhor de tudo: SORRISO o tempo todo. Uma alegria e uma lição de vida que devemos levar com a gente e lembrar sempre o que a vida nos reserva.

Para meus pais que sempre amei, mas que hoje amo mais e mais e mais a cada dia mais.

Dia leve... que delícia, terminando com um suspiro de dever cumprido.

 

Escrito por Cris às 17h26
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28/11/2006


museu

Acordei cantando Caetano e me lembrei de uma pessoa muito especial, de um passado muito especial. Alguém que me descobriu, que me apoio, que me adorou, que me fez crescer em muitos sentidos. Alguém que me trouxe alegrias, que me trouxe Caetano, e principalmente essa música, que cantávamos juntos quando íamos ao Totem, ouvindo um violãozinho e tomando uma cerveja gelada aos sábados à noite. Ô tempo bão!

 

Vampiro

Caetano Veloso

Composição: Jorge Mautner

Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canção cantando todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado
"oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazónapasionado"
Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquelaferida

Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nuncachegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos
Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia

 

Sabe que muuuitas vezes sou como um museu que vive de passado. (risos) É que meu passado é tão gostoso de lembrar, tão quentinho, pessoas tão especiais estão lá gravadas. Tantas histórias, tantas gargalhadas, tantos sorrisos, tantas lágrimas, tantas coisas... ai, ai, que dia melancólico.

 

 

Escrito por Cris às 09h26
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27/11/2006


Estive pensando sobre tantas coisas no fim de semana, que já nem sei mais sobre o que falar agora.

Tenho percebido que minha existência é uma grande fantasia. Sou uma criança em forma de mulher, ora irresponsável, ora responsável além da conta. Isso me deixa confusa, sem norte.

Os trinta anos estão chegando e minha vida segue um rumo que não me é muito agradável. Sem grandes ambições, sem coragem, sem vontade, mas com uma ponta de esperança de que a felicidade ainda chegará, seja qual for o caminho que venha a seguir daqui um tempo.

Tenho cultivado novas amizades e reestruturado as antigas.

Por um tempo me sabotei e deixei que os verdadeiros amigos estivessem por um fio para o nunca mais, mas aos poucos, mesmo que por caminhos nem sempre agradáveis a uma outra pessoa, tenho mantido essas pessoas vivas dentro de mim. Tenho um amigo que chega a invadir meus sonhos, pois essa é única maneira de conseguir me ver e me dar um abraço apertado. Ahh o que o ciúmes não faz!

Não posso reclamar, pois sou vítima de mim mesma, me deixando seduzir e me levando pelas aparências, me apaixonei e esqueci do resto.

O tempo passou e as faces verdadeiras apareceram e percebi que nada me era mais importante que os amigos... sempre.

Fases da vida. Crise da meia idade! risos

Mas de uma coisa é certo (feliz ou infelizmente), ainda tenho muito o espírito de uma criança de 12 anos de idade. Cheia de sonhos e começando a despertar para o mundo.

E vamos em frente que atrás vem gente.

Minha semana terminou um pouco estranha, mas parece que está começando bem.

Boa semana a todos! Nós merecemos.

 

sessão Djavan rolando por aqui.

 

Escrito por Cris às 13h56
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24/11/2006


E ela se lembrou...

Tarde da noite, voltava da faculdade, cansada e feliz. Pensando nele, esperando que o telefone tocasse.

Entrou no banho, a água escorrendo por todo seu corpo, acariciando seus braços, seus seios, sua nuca, molhando a ponta dos cabelos curtos e avermelhados. Escorria pelo rosto, levando os resquícios do dia.

O toque da toalha macia envolvendo seu corpo... o telefone tocou. Sim era esperado! Que saudade!

Era o amado que ligara para desejar boa noite, para dizer que a ama, para dizer que queria tocar-lhe a nuca com os cabelos levemente úmidos e o corpo macio.

Que vontade de gritar que ambos tinham, gritar para o mundo o amor que sentiam. Alimentavam-se um do outro, do amor que nutriam, dos olhares, das carícias, dos abraços... que saudade.

E ela se lembrou que isso tudo se fora, que o grande amor da vida dela está perdido em algum lugar do passado, e um suspiro se calou.

 

Escrito por Cris às 07h33
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21/11/2006


sonhos

Era noite de ano novo...

O calor de dezembro era insuportável, havia muito barulho, música alta, vozes, gargalhadas, roupas coloridas, tudo dentro de uma casa muito estranha.

Paredes de cores alaranjadas, com manchas pretas, talvez emboloradas, pessoas passando de um lado para o outro por um corredor apertado e sufocante para chegar de um cômodo à outro.

Encontrei alguém! Alguém que teria sido uma "inimiga", mas que naquele momento não importava. Estavamos todos ali, famílias reunidas. Quantas pessoas conhecidas, de hoje e de ontem. Pessoas que estão, que foram, que permanecem... que serão.

Paramos para conversar e tudo era tão natural, tão sincero, tão bom, que pedi desculpas por ter sido quem fui no passado, por ter me comportado de maneira tão fútil, por ter lhe arrancado possíveis bons momentos.

Ela está feliz, não têm porque não me desculpar, sorrimos e caminhamos juntas...

De repente era uma piscina...

Crianças! Quantas crianças nadando e se divertindo, esparramando água para todos os cantos. Brinquei também, mergulhei e nadei

Era quase meia noite quando tudo se foi. As paredes alanjadas eram de uma garagem velha e úmida. A piscina nada mais era que uma banheira velha enferrujada, com alguns sapos mortos no que restava de água suja. A então nova amiga, se foi, talvez para nunca haver um reencontro, mas ao menos sei que ela está feliz e que com certeza há de ter me perdoado.

Escrito por Cris às 09h10
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14/11/2006


Voltando para casa à pé, com pressa, no meio de todos aqueles carros, barulho, vento, poluição, haviam flores coloridas no caminho e me perguntei quantas pessoas deveriam para olha-lhas. A resposta veio quase instantaneamente: ninguém ou quase ninguém.

Flores lindas, contrastando com o feio da cidade, pedindo para que pessoas parassem para admira-las e refletissem um pouco sobre como sobrevivem no meio dessa selva de pedras.

Acho que a vida é assim, no meio de tantas coisas feias sempre há belas flores, mas que muitas vezes nem são notadas. É por isso que sempre paro para admirar flores, estejam elas onde estiver...

'Xa eu ir, pois hoje tô numa correria danada, só queria deixar o episódio das flores registrado.

 

Escrito por Cris às 13h52
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13/11/2006


Segunda-feira de novo!

ai ai... hoje definitivamente não é um bom dia! risos

Escrevei, escrevi, escrevi, energia caiu, perdi, perdi, perdi tudo o que havia escrito.

Enfim, vou deixar registrado o link de um curta lindo que reencontrei no Porta Curtas, vale a pena ver:

 

http://www.portacurtas.com.br/filme_abre_pop.asp?cod=1893&exib=2636

 

A gota da imagem ilustra as últimas gotas no meu copo já bem cheio, mas... reclamar pra que não é mesmo? Segundo umas das conversas centrais desse final de semana: "O ser humano está aí para nos decepcionar"... verdade cruel.

E vamos enfrente, pois hoje é dia de enviar mais Curriculuns e torcer pra que consiga um emprego logo, logo, logo, LOOOGOOO!!

Beijos e boa semana pra quem me lê.

 

Escrito por Cris às 07h59
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10/11/2006


Lágrimas

Não poucas vezes filmes nos fazem chorar, mas às vezes, nem mesmo está ligado diretamente ao que vemos na tela e sim ao que se encontra no coração. O filme em si seria apenas uma válcula de escape...

De repente me vi chorando, mas quando percebi o porque, descobri que era por mim que as lágrimas caiam e fui dormir triste.

Acordei várias vezes, tive sonhos insanos, voando por entre as nuvens, com medo de colocar os pés no chão. Estive sozinha e as pessoas que eu encontrava não me viam, não me se sentiam, não me sabiam.

Cabeça doendo... e essa chuva que não pára... 

 

Escrito por Cris às 08h15
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09/11/2006


de volta...

Enfim, sozinha...

Dias de ausência não me fazem bem. Sinto falta de aliviar um pouco o dia-a-dia.

Está frio, ainda é cedo, minha cabeça está a mil! Entrevista para emprego novo, organização de reunião de família para o final de semana... meu estômago está embrulhado...

Queria escrever sobre tanta coisa, tantos sentimentos... tantas repressões... tantas palavras... perdidas...

Momentos que não pararam no tempo e se foram

Olha! Que pássaro lindo no coqueiro! Ele canta lindamente... lá se foi, cantar em outras bandas.

um suspiro... amanhã volto...

 

 LÁGRIMAS OCULTAS

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece- que era noutras esferas
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Tomo a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

(Florbela Espanca)

 


 

Escrito por Cris às 07h24
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01/11/2006


Pedra

Não sei se sou... apenas tenho vivido e por vezes esqueço de que há pessoas ao meu redor.

Descubro que apenas saber que elas existem não é o suficiente para continuar minha caminhada,

pois apenas saber significa passar por elas sem notá-las.

Não posso deixar que elas sofram minha solidão.

Não posso deixar que esse pedaço de mim caminhe junto com minha indiferença e descrença em alguns seres humanos.

Preciso delas assim como precisam de mim, de minha atenção, de minha delicadeza

Delicadeza... onde está você? Por onde andas que me deixas tão dura como pedra?

Ser uma rocha muitas vezes é preciso, mas não tenho sabido escolher o momentos certos de sê-la.

Repensando... repensando princípios e erros cometidos.

Transformação... que assim o seja.

 

Escrito por Cris às 09h59
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos


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