O tempo passa rápido... demais...
Tudo o que quero está muito a minha frente...estou correndo, mas pareço patinar e não sair do lugar.

Eliane Barth
ouvindo Jevetta Steele - Calling You
O tempo passa rápido... demais...
Tudo o que quero está muito a minha frente...estou correndo, mas pareço patinar e não sair do lugar.

Eliane Barth
ouvindo Jevetta Steele - Calling You
Domingo de chuva e muito calor. Aproveitei uma pequena brecha no tempo para passear na feira que está tendo na cidade vizinha. Feira do interior... brinquedos caóticos e barulhentos, barraquinhas de algodão-doce e de lanches de pernil, barraquinhas de frutas (circuito das frutas), em um dos palcos tocava uma banda de rock, pra meia dúzia de pessoas (inclusive um senhor já bêbado, com camiseta do Sepultura, que pulava feito um canguru na frente do palco), em outro palco tocava o velho pagode, mas neste não havia ninguém, apenas a banda tocando para alguns transeuntes que não paravam para ouvir, estavam mais interessados em comprar frutas ou levar a pequena menina à roda-gigante: “vâmo, pai. Vââââmoooo” – dizia a menina em seu vestidinho amarelo, feito sob encomenda para aquela ocasião, puxando o pai pela mão.
Após dar uma volta e cruzar com a rainha e a princesa da festa, ver os artesanatos, as frutas, as pessoas, um pouco da banda que tocava AC/DC, sentei-me para tomar um suco. Lá de cima, onde eu estava, tinha uma vista privilegiada do parquinho e vi a menina de amarelo pulando de felicidade enquanto o pai lhe comprava o tão sonhado ingresso para a roda-gigante e o carrossel.
A felicidade da criança me contaminou de tal forma que o sorriso dela veio parar nos meus lábios e desejei ser do tamanho daquela criatura novamente. Bateu-me um saudosismo enorme e relembrei muito.
Enquanto andava nos brinquedos pude ver o sorriso de satisfação da menina e do pai, que mostrava o parque lá de cima da roda-gigante e depois acenou para ela no carrossel, tantas vezes em sua frente passou.
A chuva estava chegando novamente, o pai agarrou a mão da menina que saia do carrossel e pulando as poças de água ouvi o gargalho dela de felicidade. Esconderam-se em um toldo de uma barraquinha, ele agachou-se e no meio de risadas ele a enxugou com um lenço que trazia no bolso.
Terminei meu suco e segui meu rumo para casa, mas com uma estampa linda em minha memória. O sorriso salvador daquela criança inocente.

Às vezes tomamos caminhos que não nos proporcionam grandes alegrias, nem grandes emoções, nem grandes tristezas. São caminhos que aparecem apenas para serem trilhados e neles encontrarmos oportunidades de nos conhecermos, de conhecermos coisas e pessoas.
Esses caminhos não são fáceis, ao contrário, pois lá precisamos procurar se quisermos encontrar algo, precisamos conquistar, precisamos caminhar para que lá na frente mereçamos a recompensa.
Qual recompensa? A de um amor verdadeiro, a de uma amizade sincera, a de uma lição de vida.
O que quero dizer é que tenho caminhado durante muito tempo numa terra cinzenta, de solo infértil, de luzes apagadas e que agora estou começando a ter minha recompensa, tenho somado a minha vida amigos inigualáveis. Amigos que estão sempre de braços abertos e de ouvidos atentos para ouvir um pedacinho da minha história, minha trajetória.
E a maior recompensa é poder olhar para trás e ver que o caminho tão cinzento está repleto de flores e sorrisos, que eu plantei.
Aos amigos especiais, muito obrigada.

Ouvindo Spoon, banda Texana, show, e comendo mingau de aveia.
Trinta quilômetros haviam passado. A carona tinha chegado em boa hora. Sentada no banco do passageiro via a fina chuva molhar o pára-brisa e no espelho retrovisor via árvores da estrada que ficavam para trás.
No seu fone de ouvido tocava Placebo
“There are twenty years to go,
the best of all i hope.
Enjoy the ride, the medicine show”
Viu seu rosto refletido no retrovisor, borrando a imagem das árvores e percebeu que as árvores eram mais que isso, era como parte de sua vida, como se cada árvore fosse um pedacinho do que vivera e ficara para trás.
“There are twenty years to go,
and many friends I hope.
Though some may hold the rose some hold the rope.”
Árvores que talvez um dia ela volte a visitar.
Olhou para frente e viu o azul que aparece timidamente por entre as nuvens do céu, sorriu e disse a si mesma: “amanha haverá sol”.

A tempestade se aproxima.
Nuvens carregadas, clarões no céu, trovoadas, o fim está perto.
Não serei atingida por um raio, não novamente
De braços abertos na chuva, sentindo o tremor dos ossos pela água gelada
Não serei abandonada, não novamente
Não fugirei, não novamente
As nuvens passarão, o dia brilhará, os girassóis plantados florirão
E mesmo que eu permaneça no mesmo caminho,
Saberei que sorrisos não me faltarão, mãos e ombros carinhosos também não
Enquanto a tempestade não passa, sorrio, mesmo com o gelo no coração
Parece que meu inferno astral está trabalhando direitinho...*meio sorriso*

Ouvindo Flaming Lips
Fui Parei no meio do caminho Resolvi voltar Parei novamente Sentei-me à beira do mar As ondas batiam nas pedras E as gaivotas banqueteavam-se no além mar A brisa fez com que me perdesse do caminho E depois de muito procurar encontrei O mesmo velho e já cansado caminho O caminho de sempre O caminho que escolhi O caminho que me aprisiona O caminho que de certa forma me faz estar aqui
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos