Uma festa, alegria, calor, bebida...
A festa perfeita, mas lá no fundo uma ponta de angustia não a deixava em paz, andando de um lado para outro sem saber ao certo para onde ir, para onde olhar, para onde sorrir.
A noite se arrasta lentamente e num momento de instinto resolve abrir aquela porta, a única que não poderia ter sido aberta naquele momento, a única que no fundo é o grito de esperança para o seu futuro.
Lá dentro ele está nos braços de outra. Rostos sem expressão. A outra o beija com ternura e ameaça se levantar ao vê-la ali parada com a mão na maçaneta. Ela num impulso impensado, ou muito bem pensado, pula em cima de ambos e bate, esmurra, grita, xinga, sabendo que não se importava com quem ele se deitava ou não.
Prontamente arruma suas malas e continua a andar de um lado para outro. A festa já estava longe, sua presença não tinha importância.
Encontrou e falou com a outra a sós e entendeu o amor cego que sentia por ele, o mesmo amor que ela mesma um dia havia sentido e perdido um dia. Pediu desculpas pelas palavras usadas e saiu carregando uma mala em cada mão... sorrindo... rumo aos primeiros raios de sol que surgiam no horizonte...



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