Tudo por causa de um telefonema perguntando se nós, uma transportadora, fazíamos fórmica. Isso me remeteu a uma nostalgia sem tamanho, fazendo-me voltar no tempo, quando eu, meus irmão e uma dúzia de crianças levadas escorregávamos sobre o tampo de alguma cadeira velha em fórmica, na esquina de casa. Uma curva perigosa e íngreme, mas que nosso espírito aventureiro fazia desse o cenário perfeito para nossas peripécias.
Tempo em que eu e minhas vizinhas brincávamos dentro do galinheiro (sem as galinhas e sua sujeira, claro). Nosso palácio encantando, nossas bonecas, nossos jogos de panela e de chá, de plástico. Nossas muitas receitas feitas de areia, terra vermelha, folhas coloridas, pétalas de flores e muito carinho e amor.
Tempo em que brincávamos de escolinha embaixo do abacateiro... foi lá que aprendi a ler e escrever antes dos sete anos.
Tempo em que brigávamos por bobagem e nossas brigas eram tão ingênuas que nossos palavrões eram formas geométricas e ficávamos loucos da vida quando éramos chamados de quadrado.
Tempo em que o menino que não morava na rua, e que sempre passava férias na casa dos tios era o “namoradinho” de todas nós, meninas, e nos derretíamos, fazíamos plantão no portão da casa dele, esperando que fossemos chamadas pra brincar.
Tempo em que fazíamos guerra de mamona verde.
Tempo em que meu irmão tinha uma BMX preta, e quanto eu saia escondida, meu irmão saia correndo atrás de mim, pronto pra me dar um safanão nas orelhas... claro que ele sempre me alcançava.
Tempo, tempo, tempo...
Enfim, o tempo passou e hoje somos adultos e como sempre lembro, muitos se perderam, mas o que está aqui dentro do peito não se perderá jamais.




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